Por Christina Lima, Nós da Comunicação
O headhunter Carlos Vitor Strougo, diretor da Kadan, consultoria especializada em recrutamento e seleção de executivos, revela as qualidades mais valorizadas pelas empresas na hora de contratar profissionais. Strougo, que integra a diretoria de Desenvolvimento de Lideranças da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), no Rio de Janeiro, não tem dúvidas de que a combinação de características pessoais com a capacidade de gerar resultado é o que interessa hoje em dia. “O que as empresas estão recrutando hoje? Aquilo que elas precisam. Ou seja, aquilo que resolve as necessidades da companhia”, ensina.
Nós da Comunicação – Quais as competências e qualidades que as empresas procuram hoje nos profissionais?
Carlos Vitor Strougo – Houve uma mudança de como os profissionais hoje são requisitados pelas empresas. Há três ou quatro anos, o profissional era muito requisitado pela suas competências específicas de conhecimento técnico ou experiência. Esse acúmulo de qualidades sempre foi valorizado quando se buscava um profissional. Hoje, essa avaliação é muito mais pragmática. Pode parecer uma conversa meio estranha, pois se você me pergunta: “O que as empresas estão recrutando hoje?”. Respondo: “Aquilo que elas precisam”. “Mas o que elas precisam? Aquilo que resolve as necessidades da companhia, ou seja, aquilo que elas precisam”. Temos então de fugir da ideia antiga de “o que eu preciso hoje é de um profissional formado nisso ou naquilo, com tantos anos de experiência, com certa idade... Uma listagem do que a pessoa tem. É claro que essa pessoa precisa deter um conhecimento técnico específico de sua área, seja Marketing, Finanças ou Comunicação, mas isso é só o básico.
Nós da Comunicação – Preenchidos os requisitos básicos para entrar no mercado de trabalho, quais as qualidades necessárias para quem quer se desenvolver na carreira?
C.V.S. – O profissional que quer subir e ter sucesso precisa entender do sistema de gestão, ter capacidade de relacionamento, de compreender o todo e trabalhar na parte. Tudo muito voltado para características pessoais. Já foi a época em que só acúmulo de conhecimento e de experiência era o ponto forte do profissional. Hoje é a capacidade de resolver. Ele ou ela possui qualidades pessoais que a empresa precisa naquele momento. Quais são elas? Não tem um padrão. Se for alguém para o planejamento, não precisa ser uma pessoa extrovertida, nem agressiva. Se quero alguém para área comercial, depende se é uma venda de alto valor agregado, preciso de alguém mais falante com bom conhecimento. Se é um produto de baixo valor e de venda pulverizada, vou precisar de alguém mais agressivo que faça mais visitas no dia a dia. Portanto, não há hoje mais o padrão imaginário do profissional de sucesso. O bom hoje é quem resolve. Não precisa ter PhD, pode gaguejar, pode falar português errado, se der resultado é o que interessa. Tentando fugir desses extremos, o que vale hoje é a capacidade de entregar com qualidade e no prazo.
Nós da Comunicação – Capacidade de trabalhar em equipe ainda é valorizada?
C.V.S. – Para dar resultados, sozinho ninguém consegue fazer nada. Essa é outra mudança fundamental. Antes era diferente porque as pessoas podiam ter a chance de ser um ‘one man show’. Hoje, a pessoa tem de ser capaz de agregar. Fazer com que seu time faça. É até bacana que o líder diga ‘nós fizemos’. Todos sabem que o resultado positivo foi graças a sua autoridade ou dom de comando, mas o elegante e o certo é saber que sozinho não se faz mesmo nada.
Nós da Comunicação – E a inteligência emocional?
C.V.S. – O emocional é outro aspecto muito importante. Pessoas que são capazes de transmitir emoções, de se sensibilizar são as que estão em vantagem. Ser restrito, muito sério e não demonstrar o que sente não é mais o caminho. Hoje, aquilo que você é, o que tem, tudo que compõe as bases de sua personalidade é o que o verdadeiro líder tem de passar. Comunicar aquilo que é, da maneira que é. O politicamente correto vai ser uma figura pasteurizada que tem por aí aos montes. Os de sucesso, se você observar, são sempre os diferentes.
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